Júri de Elize tem bate-boca entre advogados e 'pito' de juiz: 'Isso aqui parece uma feira!'



Júri de Elize tem bate-boca entre advogados e 'pito' de juiz: 'Isso aqui parece uma feira!'
O quinto dia de julgamento de Elize Matsunaga foi marcado por bate-boca entre acusação e defesa, durante depoimento de mais de nove horas do médico-legista Sami Jundi, principal testemunha da defesa da ré confessa pela morte de seu marido, Marcos Matsunaga. Jundi afirmou nesta sexta-feira (2) que o tiro que atingiu a cabeça de Marcos causou morte instantânea. A afirmação contradiz a versão da acusação, que defende que a degola provocou a morte. O depoimento começou às 10h e terminou por volta das 21h. Após a defesa encerrar as perguntas ao
médico legista, o advogado Luiz Flávio D'urso, assistente de acusação, pediu que juiz registrasse em ata o protesto dele contra expressões usadas por Sami e pediu uma cópia integral do depoimento da testemunha para encaminhar ao Conselho Regional de Medicina para análise. D'Urso alega que expressões como "só se o ânus da vítima estivesse em outro lugar" e "se não for sangue poderia ser ketchup" foram desrespeitosas. A defesa da ré rebateu dizendo que a acusação estava tentando intimidar a testemunha e iniciou um conflito entre as partes. O assistente de acusação pediu respeito e disse que processaria o advogado de Elize, Luciano Santoro. D'Urso disse ainda que entraria contra processo contra a testemunha em nome da família da vítima e sua memória. O juiz Adilson Paucoski mandou que parassem: "Isso aqui parece uma feira", exclamou. Nova versão O julgamento de Elize, acusada de matar e esquartejar o marido em maio de 2012, entrou nesta sexta em seu quinto dia com mais depoimentos de testemunhas de defesa. Desde segunda (28), 13 pessoas foram ouvidas no Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo. "A morte foi instantânea”, disse Jundi ao depor durante o julgamento. Segundo ele, o tiro destruiu o bulbo – órgão que tem contato direto com a medula espinhal e é via de passagem de nervos – e Marcos parou de respirar. “Teve morte cerebral e parada respiratória”, completou o médico legista, que foi convidado para depor sobre a exumação do corpo de Marcus, que ocorreu nove meses após o assassinato. A versão da defesa busca enfraquecer o argumento de que Marcos Matsunaga foi esquartejado ainda vivo, o que indicaria elemento de crueldade que pode agravar a pena da ré. Na terça-feira, durante o julgamento, o médico-legista e perito arrolado pela acusação, Jorge Oliveira, afirmou que Marcos foi degolado vivo. O legista também criticou a necrópsia que foi feita do corpo de Marcos. Segundo ele, o procedimento não seguiu protocolo internacional pelo fato de o corpo não ter passado por raio-X. Ele também afirmou não ser possível precisar a distância de onde Elize executou o disparo, mas afirmou que eram mais de 40 centímetros, também contrariando a acusação. Jundi também falou sobre o sangue encontrado nos pulmões de Marcos, apontado pela acusação como prova de que ele foi esquartejado ainda vivo. No entanto, segundo o depoente desta sexta-feira, o sangue pode chegar aos pulmões até mesmo no exame necroscópico caso o legista não siga protocolo de atuação. "[Pode ser pelo] efeito gravitacional", explicou. Não indica que morreu asfixiado, nem que [sangue] foi colocado ali [nos pulmões] em vida', completou o especialista Desde o início do julgamento, na segunda-feira (28), defesa e acusação ouviram de três a quatro testemunhas por dia. Treze já foram ouvidas: duas babás, um detetive, um delegado, o irmão e uma prima da vítima, um funcionário da empresa Yoki, um investigador, três peritos criminais, uma tia da acusada e uma empregada do casal. Ré confessa do crime, Elize terá o tempo de pena que deverá cumprir definido pelo júri. Ela responde por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, crueldade e sem chances de defesa, o que pode agravar a pena. Ela também responde por destruição e ocultação de cadáver.

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